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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tradução inédita de Heinrich Heine


Lançamento

Título: ALEMANHA, UM CONTO DE INVERNO (DEUTSCHLAND, EIN WINTERMARCHEN)
Autor: Heinrich Heine
Tradutores: Romero Freitas e Georg Wink
tema: poesia alemã
formato: 14 x21 cm | 216 p. | BROCHURA
ISBN 978-85-87961-72-3 | ano: 2011   
Preço: R$ 34, [já disponível]


Sinopse:
Este livro, publicado no Brasil pela primeira vez, em edição bilíngue, é um evento poético singular. Seu autor o definiu como “quadros de viagem versificados”. Tais quadros pertenceriam a “um gênero inteiramente novo”, mas deveriam ter “o valor duradouro de uma poesia clássica”. A moldura desses quadros é a rima despreocupada, a linguagem coloquial e o humor. As figuras que se apresentam neles evocam um país cheio de ideais sublimes, mas com estradas enlameadas, uma Deusa bêbada, um Imperador de sonho, tiranos e censores – tudo isso ubiquamente bafejado por um gélido vento de inverno. Em alguns momentos, o leitor terá a impressão de estar diante de uma espécie de ensaísmo humorístico metrificado; em outros, ele poderá pensar que lê algo como um poema de cordel filosófico.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Modelos vivos, de Ricardo Aleixo


Acaba de chegar Modelos vivos, novo livro de poemas de Ricardo Aleixo. A partir de quinta-feira estará disponível nas melhores livrarias do país. Por enquanto, na loja da Crisálida: no Maletta, no Centro de Belo Horizonte, ou em nossa página: www.crisalida.com.br
ou no portal da LIBRE: www.libre.org.br

O lançamento em Belo Horizonte será em duas etapas:
1) Dia 11 de setembro a partir das 11 horas no Café com Letras (Rua Antônio de Albuquerque, 781 – Savassi)

2) Dia 14 de setembro, às 19h30, também no Café com Letras, Ricardo Aleixo apresenta sua leitura-concerto Música para modelos vivos movidos a moedas e abre uma pequena exposição de poemas visuais de sua autoria, em comemoração aos 50 anos do autor.

O livro recebeu apoio do Programa Petrobras Cultural
Mais informações no blogue do Ricardo: www.jaguadarte.blogspot.com

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rainer Maria Rilke, o poeta estrangeiro

O poeta estrangeiro

por Bolívar Torres

O poeta austríaco Rainer Maria Rilke (1875-1926) já era o responsável por algumas das principais obras-primas da língua alemã – como "A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke", "Elegias de Duíno" e "Os sonetos a Orfeu" – quando, nos últimos anos de vida, já residindo na Suíça, resolveu adotar o francês. Depois de burilar o idioma de origem, alcançando o limite da abstração, resolveu partir para um novo desafio.
De seus 400 poemas francófonos, porém, apenas 86 haviam sido vertidos para o português.
O número aumenta agora com a publicação bilíngue de "As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses", que traz traduções ainda inéditas no Brasil. Deixados prontos para impressão pelo autor (mas publicados somente em 1927, um ano depois de sua morte) e desconhecidos por aqui, os textos mostram um Rilke tateando em território virgem. Como se, ao chegar ao final de uma obra consagradora, sentisse a necessidade de abraçar outros sons, ritmos e palavras, voltando a assumir os riscos de um iniciante.
– A poética presente aqui passa pelo domínio incompleto de uma língua – explica Guilherme Gontijo Flores, tradutor dos versos da série As janelas. – Os resultados são diferentes dos poemas em alemão, mas não menos interessantes. Toda questão é contrair o que há de estrangeiro dentro da língua. Em outro idioma, ele consegue retomar um estado de encantamento com o mundo, bem próprio de uma criança.
Alma atrás dos objetos
Os 10 poemas do ciclo As janelas juntam-se às traduções de outras duas de suas séries “francesas”: Jardins e As rosas. Todas trazem, como em suas obras alemãs, o mesmo apego ao concreto – o que seu mestre, o escultor Auguste Rodin, chamava de “lição de coisas”. Nada da matéria universal lhe é indiferente. Rilke parte da figura exata de uma janela (objeto de passagem e transição por excelência) e a transforma em um simulacro da fantasia humana – espécie de “moldura viva”, jogo de olhares e projeções entre o que está dentro e fora de sua geometria (quem está fora fantasia e poetifica o que está dentro, e vice-versa).
Paradoxalmente, encontra na concretude absoluta do objeto a sua dose de transcendência.
Em sua Homenagem a Rainer Maria Rilke, o escritor francês Edmond Jaloux lembra o culto que o poeta dedicava aos objetos: “Ele falava deles com um tom singular.
A mínima coisa tocada se transformava, em suas mãos, num talismã, uma maneira de corresponder com qualquer coisa de invisível, a alma escondida atrás da matéria”.
– É como se ele buscasse a alma por trás do objeto – ressalta Flores.
– Ele trabalha com a subjetividade do observador, mas ao mesmo tempo passa o olho para a própria coisa, a figura da janela em si.
O tradutor diz que adotou um processo de “recriação poética”, que seria mais apropriado a uma edição bilíngue.
– A percepção inicial é que, para Rilke, o ritmo e enquadramento das rimas é uma questão fundamental – esclarece. – A métrica não é rigorosa, mas há uma musicalidade, cujo ritmo é marcado pela rima. O mais importante era garantir que esse projeto estético de enquadramento passasse na tradução, alcançasse um equivalente, e que os originais dialogassem com suas traduções, numa tentativa de unir ética e estética.
Já os poemas em prosa reunidos no livro não foram publicados em vida pelo autor. Rilke adotou o formato (popularizado nos século 19 por Baudelaire, poeta que o fascinava) em obras importantes, como "A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke".
– Rilke, em seu “recomeçar” poético em outra língua, também fez incursões no poema em prosa que não atraem apenas pela forma.
Como se não pretendesse ficar em dívidas com a França – avalia Bruno Silva D’Abruzzo, tradutor dos poemas em prosa. – Uma leitura mais pausada desses textos revela alguns temas recorrentes na obra do escritor.
Neles, aparece, por exemplo, a figura do saltimbanco, que inspirara Rilke em sua famosa Quinta elegia, na qual, segundo José Paulo Paes, “versa o tema de um quadro de Picasso, Os saltimbancos, que causara funda impressão em Rilke. Já em Cimetière, encontramos “versos” que nos remetem àqueles que o poeta compôs como seu epitáfio.


(Jornal do Brasil - Domingo, 22 de Novembro de 2009)
acesse a matéria em www.jb.com.br