quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Plágio e intimidação

A tradutora Denise Bottmann tem feito um trabalho digno de aplauso [e apoio!] na divulgação de plágios em traduções, cometidos por editoras brasileiras. O plágio é uma prática deplorável e sua denúncia e eliminação deveria ter o suporte unânime de livreiros, editores e de todo cidadão consciente. Infelizmente não é o que acontece: a grande maioria das livrarias continua vendendo livros comprovadamente plagiados como se fosse a coisa mais normal do mundo. E as editoras que cometem os plágios continuam vendendo seus livros como edições dignas do nome.
Além de não ter [ainda] o apoio expresso das entidades do meio editorial [SNEL, CBL, LIBRE, ABEU, ABDR], Denise enfrenta outro problema: a intimidação por parte dos plagiadores.
Já fomos vítimas em um caso semelhante: ao denunciar um plágio da edição da Cia das Letras de Glaura [nem foi a nossa edição], fomos citados pelos plagiários, que nos ameaçaram com pedido de indenização por calúnia e difamação.
Todos podem e devem defender seus direitos, inclusive os acusados de plágio. Mas a situação é diferente. Quando publicou a informação sobre o plágio, Denise Bottmann deu amplo direito de manifestação ao Sr. Fábio Cyrino e à Landmark, assim como costuma fazer em todos os casos divulgados pelo blog Não Gosto de Plágio. Se há algum argumento plausível para a edição espúria da Landmark, que seja apresentado e será divulgado com o mesmo destaque no mesmíssimo local em que o sr. Cyrino foi exposto [prefiro esse termo ao difamado que ele alega].
A Crisálida Livraria nunca comercializou edições da Martin Claret [talvez a mais sistemática e notória plagiária de que se tem notícia] e, após a constatação do plágio do livro Persuasão, de Jane Austen, demonstrado no cotejo das edições apresentado pela Denise, deixamos de comercializar também os livros da Landmark.
Bom seria se os livreiros agissem em defesa do leitor e retirassem de comércio essas edições espúrias. Infelizmente a maior parte prefere fingir que não sabe ou usar o recurso legalista de "só tiraremos de comércio se formos citados judicialmente".

4 comentários:

denise disse...

prezado oséias, agradeço o apoio e a divulgação.

denise disse...

sua bela matéria rendeu um bom texto de alessandro martins, em livros e afins:
http://livroseafins.com/nas-livrarias-o-que-podemos-esperar-de-etica-2/

denise disse...

veja também em animot:
http://animot.blogspot.com/2010/03/livros-plagiados-e-livrarias.html

Mi Müller disse...

Que alento em cenário tão árido é esta postura! Eu como leitora me sinto honrada em saber que existem livreiros que não necessitam da força da Lei para fazerem o que é certo, que respeitam os leitores. Parabéns!
estrelinhas coloridas...